terça-feira, 27 de maio de 2014

conversando com pedras


tem pedra que toca a gente
e tem gente que é que nem pedra
tem gente que passa um pedaço de vida pedrado
e tem gente que não sabe existir sem atirar pedras a tudo o que não entende

tem gente que para para falar com as pedras do caminho
e não tem paciência com gente de pedra

tem pedra que a gente chama de arte
e pedra que a gente inventa que é só entulho

tem pedra que vira casa
pedra que vira arma
e pedra que resta recordação

Naquela terça feira esse punhado de pedra falou comigo. Primeiro exigiu que eu chegasse mais perto, para ver melhor. Sim, era verdade. O que parecia um sorriso diabólico, não o era. O que parecia um olhar perdido, também não o era. Era tudo só cansaço. Isso mesmo. Cansaço. É que mesmo os corpos perfeitos cansam.
Até mesmo as pedras cansam-se de assistir sempre a mesma novela. Nós, seres humanos, a repetir sempre os mesmos erros.
_ No começo até que foi engraçado_ confessou-me a pedra.
_ É que o absurdo tem graça, as vezes. Nas primeiras centenas de anos ainda consegui divertir-me com a absurda certeza humana. A certeza de que podem tudo, possuem tudo, dominam tudo. Certeza fundada no vosso erro inicial: a crença de que são o centro do mundo.


there are stones that touch us
and there are people that are like stones
there are people that spend a piece of life stoned
and there are people that do not know how to exist without throw stones to everything that he/she  does not understand

there are people that find time to speak with the stones on the way
and have no patience with stone's people
there are stones that we call art
and stones that we decide that is just rubbish

there are stones that became houses
stones that are still being used as guns
to kill, to hurt, to humiliate the ones that they say has no defense
often, what they do not have is voice, place, rights

the ones without voice are easy to exterminate!

the stones can be used to bury people and problems
or can be forgotten like a leftover from last week that no one will eat or throw away
a stone that is just a sign of the past
a stone out of place

On that Tuesday a piece of stone talked with me. First it demanded that I would be closer, to see better. Yes, it was true. What looked like a diabolic smile, it was not. What looked like lost eyes, it wasn't. It was all just fatigue. Exactly it. Fatigue. It is that even the perfect bodies get tired.
Even the stones got tired with our human repetition. Always the same mistakes, always the same certainty that we can everything, because of that first dangerous mistake. We still believe that we are the center of the world.

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