quarta-feira, 6 de agosto de 2014

diário de viagem: Camboja

por Caroline Stampone

No Camboja encontrei muitos sorrisos, mas também muito cansaço.
Eu mesma fiquei cansada. Não por causa do sol quente. Mas por existir turista em todas as horas do dia.
Em Siem Reap (a cidade mais próxima de Angkor) e Phnom Pen (a capital do Camboja) há gente insistindo para que você compre algo a todo momento. Muitas crianças vendendo livros, lenços, cartões postais, água, comida, direções, fotografias.
O que é compreensível. Nós, turistas, somos a principal fonte de renda do lugar. Um lugar repleto de beleza, mas também atravessado por uma injustiça tremenda e por uma pobreza que ainda sabe dar passos longos. 

por Caroline Stampone
Angkor é quase indescritível. Uma das maravilhas do mundo. Você anda no meio de todas aquelas pedras esculpidas, templos gigantescos, que parecem ter sido criados por deus e não pelo homem. Um lugar que têm tanta história e que ainda está tão conectado com a natureza. Em alguns templos há árvores e templos misturados, como se estivessem existido um só desde sempre. 
Angkor começou a ser construído no século IX e demorou três séculos para ficar pronto. Também pudera, são quase 40 kilômetros de extensão. Repleto de natureza e belíssimos templos. 
Andando por Angkor você se sente ao mesmo tempo pequeno e grande. Pequeno porque você é mortal, vai acabar um dia. E acreditem em mim, essa maravilha não te deixa esquecer a mortalidade que nos constitui. E grande porque ao fim e ao cabo você pertence a humanidade, capaz de construir maravilhas como essa.






Mas também capaz de destruir. A ditadura de Pol Pot, regime que ficou conhecido como o Khmer Vermelho, matou milhares de cambojanos e destruiu boa parte da cultura e das artes do país. O ditador ocupou-se da eliminação massiva de tudo que pudesse ser identificado com intelectual ou artístico. Queria fundar uma sociedade estritamente agrícola, na qual segundo ele todos seriam iguais. 
Acabaram por ser iguais na miséria. Uma população inteira a beira da morte, devido ao racionamento de comida e aos trabalhos forçados. 

Angkor sobreviveu ao tempo e ao Khmer Vermelho. Espero eu que também sobreviva as massivas visitas dos turistas. 
Parece inacreditável, mas ainda é possível andar por todos os templos. Não há cordinhas separando onde podemos andar de onde não podemos. Por enquanto ainda é possível visitar cada cantinho de Angkor, o que desconfio não irá durar muito tempo, por questões de preservação.


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