segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O começo e os fins

por Caroline Stampone

De um lado do mundo chove, do outro não.
As coisas sempre são assim.
Precisam começar em algum lado. Também têm que terminar?
Nem sempre terminam onde começam.
E as vezes não terminam... ou será que é a gente que não vê o fim?

Hoje o mundo foi a casa. Pela janela da sala já era possível ver a chuva. Da janela da cozinha o cenário era cinza, sem nenhuma gota. Cedo ou tarde ia chover no mundo inteiro.
Cedo demais eu fiquei, sozinha, metida dentro da casa.
Já era tarde quando senti falta dos outros.
Abri a boca mas já não sabia a língua deles
Abri os braços, mas já não sabia caber em abraço algum

repeti o fechar-me no quarto
gastei-me com peninha de mim
engordei o vazio que carregava
ressenti e quis que chovesse do outro lado do mundo

choveu
dentro de mim
temporal que deu voltas no meu besuntado e pesado eu
lembrei  que começo a gente só tem um
depois?
depois é só um monte de pequenas mortes
cada encontro, cada desencontro, cada amor, cada saudade
palco, cenário, espectadores da nossa partida
para alguns miudinha, estendida, cumprida
para quase todos fora de hora
incompleta, cotidiana e apagável


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

once (apenas uma vez)


Once (Apenas uma vez) é um filme musical irlandês de 2006.
Quando penso em musical acabo indo parar na imagem dum excesso. Excesso de dramatização, que acaba por esbarrar em artificialidade. Ou então excesso de felicidade.
Nem um nem outro excesso passeia por Once (Apenas uma vez), filme dirigido e escrito por John Carney.
Apenas uma vez é um filme bonito e realista.
Um encontro entre dois amantes da música.
Ele, artista de rua, pouco convicto de si e da sua arte. Vive com um pé na rua e um pé na casa do pai.
Trabalha na loja do pai concertando aspiradores de pó durante o dia. Toca durante a noite, quase sempre musicas conhecidas, porque é o que os outros gostam de ouvir. É o que ele diz.
Ela é uma das ouvintes. Um dia ela para para dar-lhe 10 centavos, um pequeno agradecimento pela musica, que daquela vez, uma das raras vezes, era uma composição dele mesmo.
Ele não sabe ser grato. Não sabe imaginar as circunstâncias dela. Só vê a quase insignificância dos 10 centavos.
Mais tarde, depois duma certa insistência dela, ele irá descobrir que é tudo o que ela pode dar. Imigrante desprivilegiada ela carrega vidas nas costas, a dela e a da mãe doente. Para pagar as contas limpa a casa dos outros. O piano toca quando pode, numa loja, onde o senhor deixa-lhe tocar de vez em quando. Ela sabe agradecer a gentileza de estranhos.
Apesar da dureza da vida ela não reclama. Pelo contrário. Tem um otimismo que as vezes até irrita.
O amor pela música ela herdou do pai, que tocava numa orquestra.
É o amor pela música que os aproxima. Ele, frustrado por não conseguir viver só de musica. Ela, contente quando pode tocar um piano, mesmo que o piano não lhe pertença. Ela invade a vida dele com esperança. Uma esperança que tem pernas e braços e sabe dar passos largos.
É por causa da invasão dela que ele para de choramingar pelos cantos e finalmente tenta viver de música. Ela acredita nas composições dele, tanto, que chega uma hora em que ele começa a acreditar também.
Vocês podem estar pensando que no fim eles hão de ser felizes para sempre, juntos. Não é o caso. Para sempre resta-lhes a música.
O filme, musical e realista, tem a sensibilidade de ser crítico. Ela é uma imigrante pobre que limpa a casa dos outros para pagar as contas. A esperança dela tem também um lado feio. Aquele lado de quem aprende a apreciar cada migalha, porque bem no fundo, sabe-se, que há sempre o risco de que a vida seja feita de migalhas por um longo tempo. Talvez por todo o tempo.
No fim ele parte. Vai para London correr atrás do sonho de ser cantor e compositor profissional.
Ela fica para trás, para cuidar da mãe doente. Continua limpando a casa dos outros. Só que agora pode tocar o seu próprio piano, um agradecimento dele.
No meio do caminho também podemos espiar as feridas e cicatrizes que ambos carregam, consequências de histórias de amores passados, que eles tiveram dificuldades para deixar ir.
Once é quase que uma cópia otimista da vida. Recomendo. 

um abraço e inté a próxima


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

no escuro do mundo

por Caroline Stampone

no escuro do mundo
sei palavra nenhuma
no começo do mundo
tudo o que posso
é um grito

no escuro do mundo
a tua voz me aconchega
as cores não existem
a amizade sim

no escuro do mundo
o sono é necessidade
a verdade coisa inventada
o amanhã desconhecido

no escuro do mundo
não há nada mais valioso do que um abraço
coisa ainda sem nome
gesto que já sabe expandir
e até  parar o tempo

no escuro do mundo
o canto das sereias tem espaço
o medo ainda não nasceu
a fé não tem precisão de ser inventada
e sabemos chamar a vida pelo nome certo
um nome impossível
impronunciável
que dança dentro de nós
antes do esquecimento.

um abraço e inté a próxima

domingo, 14 de setembro de 2014

a coragem e o medo

por Caroline Stampone

Havia dois balanços. Ela conseguia ir bem alto. Eu só sabia ficar parado. Tinha medo de deixar que as minhas pernas fossem, sem mim, para longe. Não é que eu não tivesse vontade. Tinha. Só que o medo era maior e faminto. Batia na minha vontade e a engolia em grandes bocados, sem nem ter a decência de mastigá-la. Sobrava eu e a indigestão. Ela balançava-se bem alto, ficava cada vez mais longe de mim, e eu sobrava a roçar os pés no chão.
Um dia, que era para ser como todos os outros, ela no balanço dela e eu no meu. Ela a chacoalhar as pernas e a rir bem alto. Eu com a indigestão que o medo me tinha deixado. Nesse dia, apareceu um estranho. Ele olhou para mim. Encarou-me mesmo. Eu abaixei a cabeça. Quis fazer de conta que ele não estava ali. Ele não ligou para os meus quereres. Ficou ali na minha frente. Por fim vomitou-me encima:
_ Coragem!
Coragem? E o que é que aquilo significava?
Ter coragem é não desistir?
_ Não necessariamente. Respondeu-me o desconhecido.
Ter coragem é não ter medo.
Dessa vez o desconhecido riu. Disse-me que o seu filho de sete anos era capaz de dar explicação melhor.
Era verdade, a coragem tinha sido mal interpretada. Muita gente achava que era o oposto do medo. Certamente havia professorinhas ensinando agora mesmo que um era o antônimo do outro. Mas, não era verdade.
A coragem e o medo são mais como dois balanços, um do lado do outro.
O desconhecido me gritava coragem e ela ria bem alto. Não é que risse de mim. Mas eu achava que ria. É que o medo nos deixa paranoicos. Cada vez que ela soltava um daqueles gritinhos agudos no meio das gargalhadas eu achava que era uma provocação para mim. Achava que estava a rir-me na cara. Rir da minha covardice, rir do meu medo, rir da minha fraqueza. Rir dos meus pés fincados no chão. 
Ele gritou outra vez, uma última vez: 
_ Coragem! 
Dessa vez eu pude ouvi-lo. Quis ouvi-lo. Quis abandonar o meu medo paranoico. Só que não sabia como. Não tinha a menor ideia de por onde começar. 
Sem perceber comecei a mover uma das pernas. Para frente e para trás. Antes que eu desse por mim a outra perna estava a fazer o mesmo. Quando percebi, estava a balançar-me. Olhei para baixo. Não sei se devia. Não estava acostumado a olhar para o mundo daquela perspectiva. A minha única perspectiva era eu acocorado, pequenito, grudado ao chão. 
Mas não era um pouco disso mesmo que eu precisava? Ocupar novos lugares? Ousar novas perspectivas? Não era assim que eu ia finalmente encontrar coragem para encarar os meus medos? 
Foi daí que deparei com uma resposta prontinha a minha frente. Como se alguém a tivesse desenhado nas nuvens para mim. 
Ter coragem não é nada mais do que aprender a viver com os nossos medos, aprender a coexistir com eles, sem deixar que eles nos comam em grandes bocados.
Era isso. As minhas pernas continuaram a mover-se, moveram-me metro e pouco acima do chão. E eu senti como se tivesse escalado a montanha mais alta do mundo. Teve horas que eu tive medo de cair. Mas, também tive vontade de ir, uma vontade imensa de viver aquela aventura. A vontade de tirar os pés do chão foi maior do que o meu medo. 
Pela primeira vez pude divertir-me com o riso dela, a balançar-se bem alto no balanço vizinho ao meu. É que pela primeira vez não deixei-me comer pela paranoia de que eu era o centro do mundo. 
Quis agradecer ao desconhecido, mas quando olhei para baixo ele já tinha partido. Por uns segundos tive medo que o desconhecido fosse loucura minha. Daí lembrei das palavras das nuvens. Sim, eu queria aprender a viver com os meus medos. E já era hora. Por fim, não apavorei, não fugi e nem finquei os pés no chão, continuei ali, a balançar-me do lado da menina dos meus sonhos. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

ninguém vive uma vida inteira e sai ileso

por Caroline Stampone

_ Está tudo quebrado de um jeito que não dá para consertar. 
E por que essa insistência em consertar? 
Por que não assumir as rachaduras? Por que não encarar que agora o jeito é existir assim.
_ assim? em pedaços, você quer dizer. 
Sim, são pedaços. Está posto. É visível. São, sim, pedaços. 
A questão é: 
pedaços de que? 
pedaços que querem ir aonde? 
pedaços que gostam do que? 
pedaços que não gostam do que?
_ são muitas questões. 
Também são muitos pedaços. E se cada pedaço se ocupar de uma questão?
Dessa vez não houve resposta. Acho que ela estava ocupada a tentar entender o alcance daquela queda, daquela quebra, daquele despedaçar. 
Sim. Tinha acontecido. O que um dia tinha sido nosso e era bonito e lustroso, os outros até invejavam, agora tinha quebrado. Nós também tínhamos quebrado um pouco com aquela queda. Por fim, ela disse:
_ Rachado. Despedaçado. Quebrado. Sim, Mas, também reconfigurado. Desconstruído. Quase que recomeçado, não?
Quase recomeçado? E tinha isso de quase um começo? E quase recomeço, tinha? 
Tudo o que pude fazer foi derrubar um lugar comum, que nesse caso serviu-me como verdade. 
_ Ninguém vive uma vida inteira e sai ileso. 
Ela concordou. Eu sabia que bem no fundo ela sentia diferente. É que estava ocupada com aquele excesso de eu, besuntado e espaçoso,  que te sussurra ao pé do ouvido que a tua dor é maior do que a dos outros, a tua perda maior que a dos outros, os pedaços que te faltam mais importantes que os que sobraram. 
O jeito era mandar aquela dorzinha passear ou então pagar o alto preço de deixar de existir um pouquinho de cada vez. Cada reclamação, cada vitimização, cada uma das lágrimas que insistiam em criar um mar pelo qual se pudesse retornar ao passado, iam comer mais um pedaço dela. No lugar iam deixar outra. Uma outra amargurada, fechada, sozinha. 
Fiquei rezando baixinho, para os santos todos que eu mesmo inventei, para que ela não se deixasse engolir pela amargura. Fiquei rezando baixinho para que ela finalmente encarasse a questão: 'você quer gastar o resto da vida a reclamar?'. Fiquei rezando baixinho para que ela pudesse honestamente responder: 'não, obrigado'. Fiquei rezando baixinho para que ela pudesse finalmente entender que ninguém vive uma vida inteira e sai ileso. 


                       

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O começo das águas

por Caroline Stampone
As águas começaram verde claro. Quando dei por mim estava cercado por um azul escuro lamacento e sujo. Não sabia voltar. Achava que voltar era preciso. Já acreditaram em cada coisa. Navegar foi preciso. E não viver. Foi o que disseram e até deixaram escrito. E quanta gente de verdade não acabou grudado a essa certeza.
Combater o terrorismo é preciso. Uma das verdades atuais. Voltar para a sua própria casa é preciso. Outra das verdades atuais. Bandido bom é bandido morto, uma verdade que já anda até um pouco capenga, de tão velha, mas que continua grudada a boca de tanta gente.
E onde é que essas verdades começam?
Por que é que tanta gente as repete?
O que é mesmo isso de terrorismo? Quem é o terrorista? O jovem ativista que luta por um mundo onde os mares deixem de ser poluídos por multinacionais que só pensam no lucro é de fato um terrorista? Um ativista político lutando contra uma ditadura é um terrorista? E será que o terrorismo não existe em mais de um lado? Já não é hora de dizer basta à velha história de que de um lado estão os mocinhos e do outro os bandidos?
E essa história de que todos os imigrantes pobres devem voltar as suas próprias casas? Em tempos de crise, são eles, os imigrantes pobres, os primeiros a serem culpados. Mas, por favor, por que essa preguiça de abrir os olhos e usar os miolos? Num sistema desumano como o capitalismo, onde a produção do dinheiro está completamente desassociada do trabalho, onde 'bem estar social' não é mais do que piada e no qual a economia é um monstro que tem pernas próprias, como é que podemos culpar os imigrantes pelo que vai mal?
'Bandido bom é bandido morto'. Fácil repetir esse clichê vazio e perigoso. Fácil, estúpido e reprodutor dos problemas que só crescem. Problemas que só enxergaremos no dia em que o bandido que tanta gente quer ver morto for o nosso filho, o nosso irmão, o nosso namorado, o nosso amigo. Não é preciso ser nenhum gênio para saber que a criminalidade e a pobreza andam de mãos dadas desde que o mundo é mundo. Há uma estreita ligação entre a desigualdade social e a criminalidade. Mas, sim, ao invés de encarar tudo o que está errado, ao invés de lutar por uma sociedade menos desigual é mais fácil repetir que 'bandido bom é bandido morto'.
Mas a promessa não foi a de um começo com águas limpas, verde claro até?
A única verdade é que já faz tempo que água limpa virou luxo de poucos. É preciso abrir os olhos, os ouvidos, a pele e a vida para enxergar tantas urgências fora de lugar. É preciso parar de repetir sandices perigosas e ter coragem de pensar por si mesmo. 

um abraço e inté a próxima 


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

conselhos dum sábio

por Caroline Stampone
Cruzei com um sábio dia desses. Não foi por querer. Acidente mesmo. Ou graça da vida. Sei não. 
A primeira vista não percebi que tratava-se de um sábio de sapiência verdadeira. Pensei que fosse só imitação. 
De qualquer modo aproximei-me e ia apertar o clique para fazer uma foto da estátua, quando escuto:
_ Está com cara de quem anda a procura de respostas. 
_ oi, hein, é comigo? 
A estátua disse que sim. Quer dizer, o sábio. 
Perguntei: 
_ Olha, desculpe, mas não era suposto o senhor ficar calado?
Ele respondeu que não fazia sentido. Não fazia sentido pedir desculpas logo que eu abria a boca. Quis saber onde eu tinha aprendido aquilo. Quis que eu lembrasse. Disse que não tinha precisão. Havia coisas mais importantes para fazer. 
O sábio garantiu-me que eu andava agarrada as precisões erradas. Não havia nada mais urgente do que desfazer um mau hábito como aquele. Passar a vida inteira desculpando-se custava caro demais. 
Tentei dizer 'tenha um bom dia e desculpa qualquer coisa'. Fui dando passinhos para trás para fugir dali. Daí esbarrei num troço pesado. Quando viro-me para ver o que era, lá estava ela outra vez, a estátua. Quer dizer, o sábio. 
_ Como é que é possível? O senhor não estava ali na minha frente? Como é que o senhor veio parar aqui? 
A estátua chacoalhou a cabeça para os lados e disse que eu ia dar mais trabalho do que ele tinha pensado. Estava muito mal habituada e presa as questões erradas. De que importava como ele tinha chegado ali? O que importava é que ele ali estava. A pergunta agora era o que íamos fazer juntos. 
_ Fazer juntos? Não, obrigada. O senhor me desculpe mas estou acostumada a fazer tudo sozinha. 
_ Viu. Outro desacerto. A solidão não deve ser um costume. Mas uma opção para algumas horas. 
Já estava a começar a me cansar daquela estátua, quer dizer,daquele sábio. Quem ele pensava que era para aparecer assim do nada e começar a dar pitaco sobre o modo que eu vivia a minha vida?
_ Olha o senhor me desculpe,  mas não faço questão de ouvir as suas opiniões. 
_ Tão rápido? _ foi tudo o que ele disse. 
É verdade. A nossa conversa não tinha durado nem cinco minutos. Acho que eu tinha me desabituado dos outros. Fazia tempo que já não sabia falar com eles. 
Aquele meu desencontro com a estátua acordou-me uma vontadezinha de voltar ao mundo dos vivos. Já tinha aprendido duas coisinhas. Não havia precisão para tanta desculpas e nem para tamanho isolamento. 

um abraço e inté a próxima


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

a verdade da idade passada

por Caroline Stampone

a verdade da idade passada já não me serve, ficou pequena demais, aperta o dedinho e não me deixa respirar
a verdade da idade passada não sabe nada de constância, existiu assim assado, um pouco bipolar
deve ser por isso que deixou-me essas lombrigas a passearem-me pelo bucho, pela pele e pelas narinas

a verdade da idade passada é tinhosa, fez questão de deixar-me um presente que eu não pedi: uma marca
certo que é miudinha, quase ninguém pode ver, mas o caso é que já virou parte de mim.

não é fácil carregar pela vida algo que já não lhe serve mais
_ mas quem foi que disse que a vida é fácil?
a verdade da idade passada é respondona e cheia de manias
deve ser por causo das circunstâncias de seu nascimento
foi parida em tempos de bonança, excesso de sol, excesso de tempo
excesso de horas em que esteve sempre tudo bem

a idade passada foi bonita e fora do tempo
era para eu saber que as verdades dela não iam saber andar no mundo

se penso bem, a verdade da idade passada nunca nem teve pernas
só soube foi dar uns saltinhos, uns pulinhos e só
também nunca teve mãos
seu corpo parecia-se assim com um ovo estrelado

a verdade da idade passada reconfigurou os meus quereres
esvaziou a minha mala de medos
empurrou-me à vida
mexeu com os meus passos de dança
descoloriu a aquarela do ontem
adicionou palavras ao meu pequeno mundo
e depois me deixou sozinha
desesperada para caber por mais um tiquinho de morte
nela mesma outra vez: a verdade da idade passada...