quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Quis dizer: cela para visitantes

por Caroline Stampone 

Quando puxa pela memória o menino depara com muitas coisas que queria esquecer. As visitas ao presídio. A cela para visitantes. De um lado a terrorista, do outro, os próximos. Ambos deveriam ser punidos. A vó foi punida. Ele também. De diferentes modos.
Do outro lado da cela era difícil enxergar a mãe. É que ela já tinha sido engolida pela terrorista. Quase completamente.
"Para visitar aquela outra eu estava dentro de uma cela. Não era uma sala para visitas. Uma cela para visitantes, cortada ao meio. De um lado a presa perigo máximo, do outro, os próximos, perigo máximo também. Eu não demorei para entender que eu era um próximo perigo máximo. O que eu não sabia responder era de quem eu era próximo. Sentia-me tão absurdamente sozinho que não pude deixar de perguntar quem era aquela mulher do outro lado da cela. Eu não a conhecia. Conhecia? 
(...) Olhei para ela. Faltavam os dentes. A ausência de metade do peso do corpo dela. Os cabelos tinham sido arrancados. Sobravam machucados e manchas, vermelhas e azuis, por toda a pele. Não. Ela não era a mãe. Não parecia a mãe. Daí, vi os pés dela. Continuavam sujos. Dei um passo." (trecho de Quis dizer de Carol Stampone).

um abraço e inté a próxima, 

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