segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

os invisíveis

por Caroline Stampone
São tantos os invisíveis que rodeiam a tua vida.
Aqueles que não têm nome.
Aqueles que não têm importância.
Aqueles que carregam o teu lixo, limpam as ruas, que no fundo você acha que são só tuas e dos teus
aqueles que te abrem as portas
aqueles que fabricam as tuas roupas, os teus brinquedos, o teu computador
aqueles que passam fome e morrem em guerras muito distantes do teu umbigo
aquelas que são estrupadas e esquecidas num continente muito distante do teu
aqueles que são assassinados na periferia, bem próxima da tua casa
mas, que por causa da cor da pele e das circunstâncias pertencem a um outro mundo
Aqueles que não têm educação
aqueles que não têm berço
aqueles que não têm privilégios
aquelas que pegam três ônibus e depois andam meia hora, para chegar na tua casa emmuralhada, cuidar dos teus filhos, limpar a tua casa, cozinhar a tua comida, lavar até as tuas calçolas e te chamar de senhora
aqueles que se amontoam na rua para exigir direitos e não deixam o seu carro passar
aqueles e aquelas que começam a ganhar um tiquinho do mundo
os invisíveis que no grito, na luta, começam a aparecer.

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