domingo, 13 de setembro de 2015

as bolhas

por Caroline Stampone 

naquele segundo
ele sorriu
ele sonhou com um fumador de tristezas
ela lembrou que não tinha jantado ainda, apesar de já passarem das 19.00
ela era duma terra onde o jantar era suposto ser entre 17.00 e 18.00 da tarde
ela estava cansada de fazer tudo como era suposto ser

naquele segundo
ele pensou que bem podia passar o resto da noite com aquele desconhecido
ela achou que já estava velha demais para uma festa daquela, pensou em ir embora, mas recebeu o convite de um desconhecido
dançou e esqueceu essa história de ser velho demais para isso ou para aquilo

naquele segundo
ele caiu e mais do que depressa mãos sorridentes ofereceram-se
em mãos alheias ele achou um pedaço de si mesmo que tinha começado a desbotar
ela pensou em encontrar um lugar bem alto de onde pudesse se jogar e acabar de vez
daí, um outro cuspiu no chão
ela olhou para aquela gosma amarela e viu a própria vida
um amontoado de desistências e medos e merdinhas

ela olhou para o alto e viu quando duas bolhas se encontraram
se viram
se carregaram por um tiquinho de vida _mais alto, mais intenso, mais próximo do sol

por fim, elas desfizeram-se, deixaram de existir, viajaram para o mundo invisível e viraram apenas milímetros de memórias que nem o álcool e nem o tempo quiseram ou souberam apagar.

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