sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Bia, Raimundo e as minhas obsessões

Esse era para ser um post sobre o flme Léo e Bia de Oswaldo Montenegro. Aliás, se você ainda não assistiu, recomendo muiiiiiiiiiiito. Esbarrei nesse filme por acaso e foi uma ótima surpresa.
Talvez as minhas obsessões é que tenham me levado até ele. Afinal, Léo e Bia é atravessado por duas das minhas obsessões: o teatro e a ditadura militar brasileira.

Léo e Bia é a história de um grupo de amigos, apaixonados por teatro. O entusiasmo deles_ que sabe viver numa sala escura, num balcão de teatro_ tem que aprender a sobreviver apesar da ditadura, tão bem metaforizada através da mãe castradora de Bia.
A ditadura está em todos os lados, mas também não está.
A mãe de Bia é dura, louca e tem um amor possessivo pela filha, um amor que machuca, que prende, que não deixa ela ir, não deixa ela ser.
A personagem Bia existe para personificar os frustrados todos. Aqueles e aquelas que se deixam ficar pelo caminho, que desistem dos sonhos constituintes. Aqueles mesmos sonhos que dão-nos as cores que nos definem, sabe? E aí, quando impedimos que todas aquelas cores continuem nos movendo o que é que sobra de nós?
Claro. Não há dúvidas. Deixei as minhas obsessões falarem. Mais uma vez. As vezes acho que quando escrevo, não importa muito sobre o que, é sempre isso o que faço. Deixo as minhas obsessões falarem. Um monólogo de obsessões atrás do outro. Será falha minha ou parte do processo de escrita de qualquer um?
Importa pouco. O que importa agora é a decisão de não me transformar em mais uma Bia. Não ser mais uma frustrada que desiste dos sonhos que a constituem. Há Bias que desistem por causa de uma mãe castradora, outras que desistem por causa do cansaço. Bias que desistem por medo do desconhecido. Bias que desistem por falta de amor. São tantas as Bias que habitam esse mundo. Homens e mulheres que deixam de tentar, que desistem de si mesmos.
Hoje mais cedo caiu-me encima um documentário curtinho, sobre um escritor que vivia nas ruas. Uma dessas histórias recortadas com começo e meio tristes e final feliz, sabe? Espero que o final feliz dele vá além daquele que coube nos cinco minutos de documentário. Mas, não o trago até aqui para filosofar sobre as possibilidades de felicidade dele. Ele conquistou o seu lugar nessa reflexão por causa de algo que deixou escrito.
"Desgraçado o homem que se abandona" _ foi o que ele disse. Seu nome: Raimundo Arruda Sobrinho. 
Tem razão Raimundo. Desgraçado aquele que desiste de si mesmo. A Bia de 'Bia e Léo' me lembrou disso e você também. Obrigada por isso. 
Um abraço. 

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