quinta-feira, 24 de setembro de 2015

carta ao amor

por Carol Stampone

Por ti, fui grande
tive asas
fui mais longe do que as minhas pernas podiam
respirei tão fundo que os pulmões explodiram
quis tanto, que só sobrou um punhadinho para responder sim, sim, sim.

Por ti espatifei-me
fiz-me em bocados de quase tudo
espalhados pelo chão
estendidos para ti.

Eu ali, submissa
para que passasse
Ma-gnanimo
nem tive tempo para perceber que era eu que estava ali
desfeita
a esperar que me atropelasse.

Não pediste licença
usou botas pesadas
estavam sujas do estrume do passeio de anteontem
não fizeste cerimônia
pisaste-me toda
e eu não reclamei,
um suspiro que se pudesse
teria desenhado
obrigado
foi tudo.

Como veio
foste
sem avisos, licenças ou porquês.

Volta!
Sinto saudades
por todos os lados, só sabem falar de ti
De como a tal felicidade é impossível na tua ausência.

Troca os sapatos e volta.

Assinado
teu tapete da semana passada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário