segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Girls of Riyadh de Rajaa Al Sanea

Girls of Riyadh de Rajaa Alsanea


Mais uma ficção que fala de verdades. Dessa vez uma verdade que me é ao mesmo tempo distante e próxima.
De forma grosseira, podíamos dizer que essa é uma história sobre o que significa ser mulher na Arábia Saudita. Mas, se olharmos mais de perto, vemos que é mais uma história sobre o que significa ser mulher em um mundo ainda dominado por homens.
Girls of Riyadh começa com um casamento. Começo esse que pode arrastar-nos a contos de fadas ou ingênuas versões da vida. O que é o caso, mas também deixa de ser. E é justamente o despedaçar de visões romanceadas sobre a vida o que mais me interessou nessa história.
O casamento do começo da história é o casamento de Gamrah, uma das quatro protagonistas de Girls of Riyadh. As outras três são Sadeem, Lamees e Michele. Quatro jovens de famílias ricas, que estão 'na idade de casar'.
Sim, um dos muitos preconceitos que são trazidos até nós por Girls of Riyadh é de que mulher tem hora para casar, senão fica encalhada, encostada na casa dos pais. É claro que para o homem é diferente. Isso te lembra algum preconceito que caminha entre nós, dentro da nossa sociedade? 
Girls of Riyadh é uma história  sobre a busca pelo amor, mas é também muito mais do que isso. É um retrato da vida de mulheres numa sociedade machista. Mulheres que têm os seus papéis muito bem definidos, mas, que apesar disso, ousam sonhar com uma vida onde haja espaço para o amor. Ao menos no começo.
No começo o amor e o casamento confundem-se, mas essa confusão não dura muito tempo. Cedo, fica claro que as mulheres dessa história são muito mais do que as futuras esposas e mães que esperam que elas sejam. São seres desejantes. Desejam ser amadas, mas também respeitadas. Desejam ser inteiras.
Para mim o ponto alto do despedaçar do conto de fadas dá-se com a dissolução do casamento de Gamrah, o mesmo casamento que dá início a história.
Digeri essa quebra de contrato como uma esperança. A esperança de que é sim possível encontrar outros lugares para ser mulher, mesmo na Arábia Saudita. Até mesmo ali casamentos já não têm a obrigação de durar para sempre.
Quem se aventurar a ler o livro verá que o fim desse específico casamento não teve muito a ver com uma luta feminista. Muito pelo contrário. Gamrah é uma mulherzinha machista e irritante. Confesso que ela foi a personagem que mais incomodou. Ela reproduz o machismo encrustado em tantas mulheres. E para piorar tudo, a única coisa que move essa personagem é a fixação por arrumar um marido. 
Mas, não vou contar a história inteira. Revelo apenas que há de tudo um pouco nessa história. Há amor, há machismo_ que habita mulheres e que habita homens. Há quebra das regras. Há revolução. Há pitadas de cotidiano. Há pedaços de uma cultura distante da nossa. Há até mesmo espaço para o mundo fashion, nessa história de 'garotas'.
Uma história que acaba trazendo até nós o cotidiano dessas quatro jovens, que aos poucos vão se transformando em mulheres e começam a enxergar o mundo, ao invés de metê-lo numa redoma de romantismo.
um abraço e inté a próxima

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