quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Livros que dão vontade de tomar chá


The Full Cupboard of Life, o livro que terminei de ler faz uns dias, é mais uma das histórias leves e tocantes do escritor Alexander McCall Smith. Sobre o qual escreverei em breve. É que vou começar pelo meu começo. 
Apesar do autor já ter publicado diversos livros e ter ganho diversos prêmios só vim a conhecê-lo esse ano. Travamos conhecimento assim assim, meio sem querer. Uma pilha de livrinhos coloridos perdida numa estante meio vazia. 
Comecei por The Sunday Philosophy Club. O único dos cinco livrinhos coloridos que não se passa em Botswana, mas em Edinburgo. Uma trama marcada desde o início pelo que não se sabe ao certo se foi um acidente, suicídio ou assassinato. 
Um homem cai do último andar de uma casa de ópera e morre. Isabel assiste a tudo, fica intrigada e não resiste. Acaba por lançar-se à uma investigação privada. É que tem o mau hábito de acreditar que tudo tem solução ou pelo menos explicação. Segundo palavras da própria Isabel: "Everything has a solution. (...) Everything. All you have to do is to strip the problem down and then start from there. All one has to do is to make a list and be reasonable". (Tudo tem solução. Toda e qualquer coisa. Tudo o que você tem que fazer é descascar o problema e então começar pelo problema exposto. Tudo o que é preciso é fazer uma lista e ser razoável.)
The Sunday Philosophy Club traz a tona uma história realista e sem milagres. Isabel não irá ressuscitar nenhum morto. A solução que irá encontrar é a explicação do porque daquele cadáver ali, naquele lugar, naquela hora. A primeira vista parece só mais um romance policial, certo? 
Também há verdade nos lugares comuns. Sim, 'as aparências enganam'. E The Sunday Philosophy Club é muito mais do que um romance policial. Trata-se de uma narrativa poluída por reflexões filosóficas descomplicadas e pertinentes. 
Isabel é a editora de uma revista especializada em Filosofia que arrasta filósofos e questões filosóficas para o seu dia a dia. Dentre os quais Camus e Hanna Arednt. E com a ajuda dos quais ela procurará explicação não apenas para o cadáver que caiu-lhe encima, mas também para as mais primárias questões humanas, tal como o amor. 
Em The Sunday Philosophy Club o cotidiano de Isabel está recheado com a investigação sobre as causas da existência dum cadáver na casa de ópera. Quem foi o morto quando vivo? Tinha razões para querer morrer? Tinha inimigos? Amores? Desafetos? Amigos? Investigação essa que passeará pelos mundos da arte, dos negócios e dos romances. Isabel olhará para cada um desses universos com um dos pés metidos no lugar da filósofa privilegiada, que herdou do pai a chance de sossego e tempo para ler muitos livros. E com o outro pé enfiado na casa da detetive amadora, que adora beber vinho e observar pessoas. 
Além de ocupar-se com a investigação das causas da existência do cadáver no começo da história, Isabel também ocupa-se da vida amorosa da sobrinha e da sua própria. Ambas atravessadas pelo mesmo músico alto e tímido. Crime, amor, filosofia, críticas sobre a vida em sociedade em Edinburgo é o que pode-se esperar desse livro que é leve sem deixar de ser inquientante. 
Além disso, The Sunday Philosophy Club assim como The Kahalari Typing School for Men e The Full Cupboard of Life são livros que deixam o leitor com água na boca por uma xícara de chá. Não tem como escapar. É que as personagens bebem chá o tempo todo. E o fazem com deleite. Adoram chá e repetem que adoram chá, que é a hora perfeita para uma xícara de chá. Chá para refrescar. Chá para ajudar a pensar. Chá para relaxar. Chá para ajudar a chegar. Chá para ajudar a estar. Chá para começar o dia e para terminá-lo também. Enfim, no fim da leitura desses três livrinhos quase que tenho a impressão de que não é possível viver sem chá. 
Boa leitura! E fica a dica: prepare uma xícara de chá para acompanhar.O que vai ser? O meu favorito é chá de Hortelã. E o seu?
um abraço e inté a próxima

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