quinta-feira, 1 de outubro de 2015

o absurdo e eu

por Carol Stampone

essa vida
não mais que
um imenso absurdo
tudo repete e repete e repete
os relógios, os porques, as contas no banco, as viagens planejadas

ando sempre embriagado
aqui dentro
as paredes são escuras
há pedaços de palavras feias pichados nos meus cantos
no meu meio há uma culpa sem cor e sem medo
que me cansa
me distancia do mundo dos que sabem fazer de conta que tudo está bem

tem dias que gostava de ser capaz de pintar sonhos com as cores que deixam os outros felizes

quase sempre que me abro o que despejo é triste
os fingidores de sentido não gostam da tristeza
nem da verdade
fogem
sobro eu e o absurdo
gordo e ainda faminto
a engolir quase tudo
sem nunca mastigar

tento ser amigo do tempo
o vento roubou o meu chapéu
as ideias ficaram desprotegidas
sentiram frio e meteram-se mais para dentro

louca preocupação
a noite era tão bonita
sonhei com olhos bem abertos
me vigiavam
fechei as portas e janelas e adormeci
sem sonhar

gastamos tantas horas a implorar por sonhos
e a noite mais feliz de minha vida não foi mais que uma calma página em branco

gastei-me a querer pela metade
deixei-o pelo caminho
e a face petrificada a guardar aqueles olhos do outro
que sabia tanto de mim
que corria no meu sangue, sem ser eu


2 comentários:

  1. Nuwanda... uma amiga costumava dizer que havia de haver, um dia, uma criança chamada Nuwanda. Espero que ela esteja bem... Sei que ela vive a lutar por Nuwandas pelo mundo afora, pelos os que ainda são pequenos e pelos Nuwandas já crescidos.

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