quarta-feira, 13 de maio de 2015

Anarchy and Old Dogs de Colin Cotterill



Anarchy and Old Dogs de Colin Cotterill

Foi um desses livros que escolhi pelo título.
'Anarquia e velhos cães'? o que será que isso tem a dizer? Foi o que ficou a martelar-me a cabeça.
Acabei por encontrar um livro no estilo mistério policial, que não tive vontade de ler de uma vez só, justamente por isso. Mistérios policiais não estão entre as minhas preferências.
No entanto, apesar de eu ter deixado a leitura esquecida, apesar de eu ter começado e terminado outros livros antes de terminar esse, acabei por retoma-la e não me arrependo.
Há momentos em que há uma lucidez que sabe fazer doer nesse livro.
Os 'old dogs' são velhos e velhas que lutaram pela independência de Laos e acabaram por virar figuras decorativas num regime que de revolucionário só tem o nome.
Um dos trechos que mais me marcou foi aquele em que o médico legista, protagonista da história, reflete sobre o começo da revolução. Mais uma dessas revoluções feitas em nome do povo, mas não pelo povo e nem para o povo.
A lucidez daqueles que perderam a luta e ainda não têm certeza se perderam de todo a esperança, é disso que Old Dogs fala. Derruba sobre nós aquela lucidez de ex utopicos, ex idealistas, que viraram políticos e apesar disso, ainda sobreviveram humanos. Do auge do resto de humanidade, no fim da vida, os velhos cães olham para si mesmos, olham ao seu redor, enxergam muitos erros, encaram a farsa e tentam recomeçar a revolução, uma revolução clandestina. Uma revolução que não quer desembocar na construção de novos partidos. Uma revolução que tem como rumo a anarquia, única casa possível para o resto de esperança de velhos cães.
O protagonista dessa história, um velho cão, decide assumir os erros que cometeu por omissão. É que ele sabe que não fazer nada pode ser o suficiente para destuir muito. Como ele mesmo diz a um velho amigo, outro velho cão:
"One more thing, old fool. Do not forget this. At the back of every wicked man, there is a shadow. Is that shadow any less guilty than he?" (p.59)
(Só mais uma coisa, velho tolo. Não esqueça isso. Atrás de cada homem perverso há uma sombra. Essa sombra é menos culpada do que o homem mau?). 
Recomendo. Principalmente para aqueles e aquelas que apreciam uma aventura policial politizada. Despeço-me com uma frase simpática, que define bem o humor dessa hitória de 'velhos cães'. 
"The future is a pimple on your nose. No matter how fast you run, you'll never catch up with it. Nor should you try to" (p.6)
(O futuro é uma espinha no seu nariz. Não importa quão rápido você corra, você não irá alcançá-la, nunca. E você nem deveria tentar tal coisa). 

um abraço e inté a próxima 

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