sábado, 26 de setembro de 2020

to be in love vs. 'having' someone

 Being in love and having someone

not the same thing, doll
to open your legs and moan in the right way might be a ticket to having someone that will keep you warm
but to feel truly alive
the type of aliveness that does not depend on having enough potatoes in your belly
then you need to be in love at least once
I can see on your pallid face that you do not understand why
I will explain

to be in love is your ticket to truly become a part of the world
Is by being in love that you can transcend yourself
you can move on from this small, self-centered you
and become a part of the collective world
and don’t get me wrong
you do not need to be in love with one man or one person
you can be in love with trees
or with the world
or with a cause
or with a person
to be in love is to be so involved, so taken by someone or something else than yourself that for a moment you forget all the small questions related to the size of your sex, the right measurements of your body or your personal achievements
suddenly you cannot forget that there is so much more
there is this energy
this life
that dances inside of you
but is also a part of the world
and because you are in love you feel this urgency to let this energy exist
you need to move and let it see places and faces and possibilities
you expand
you bring good into the world without even thinking about it
to have someone on the other hand
is more like a useless exercise to try to avoid the existential fear of dying alone
it is a lie
we will all die alone
no matter what

and people are not to be possessed

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

love in an unkwon language


 

it seems appropriate to approach love in a language that you don’t know

it is exactly that

every time

you are invited to this dance

a fun dance it seems like 

in the beginning

and you do not know where you are supposed to put your feet

or your heart, or your hair, or your sex, or your bank account

it is not that there are no directions at all

you could choose to follow the porn school

or what they teach in the so called women’s magazine

but if you decide to embrace it truly

without no cheating

then there is no preparation

you can never really know how you and the other will happen

the relation that you will draw together is a gift

most likely a light one in the beginning

beginnings of love have this tendency to be carried away by that strong animal smell

you just want to find a place to belong

later on, things tend to get more complicated

to find the balance between the overrated freedom and the equally overrated love is not easy

most people settle for the boring life

in which both love and freedom die

the living room is taking over by the big sofa and the big tv

and we become that stranger that no longer remembers that love is not supposed to be familiar

instead it is this foreigner, strange

 this strange thing that carry us from ourselves 

into the world

 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

“What it means when a man falls from de sky” by Lesley Nneka Arimah

Amazon.com: What It Means When a Man Falls from the Sky: Stories ...

Ps: Esse post tem spoilers. 

Descobri esse poderoso livro de contos ontem. Li as primeiras duas histórias. “The Future Looks good” and “War stories”. São histórias curtas, cheias de poesia, ritmo, música mesmo. The Boston Globe descreveu o livro como inventivo e “wildly playful”. Eu concordo. Arimah sabe brincar com as palavras. Ela sabe jogar sobre nós pedaços de histórias como quem põe na nossa frente pedaços de um quebra cabeça complexo, bonito a sua maneira, mas também escuro. Tão escuro. Eu também tenho uma tendência forte de escrever sobre injustiças com uma pena pesada. Tem como ser de outro jeito? Não sei. Acho que o que sei é que tem vezes em que a denúncia de uma injustiça por meio da literatura para alcançar significado inteiro tem mesmo que acabar nesse chão de escuridão e desamparo. A personagem principal da primeira história, que enquanto tem as chaves na fechadura não nota todos aqueles que estão atrás dela, termina de um jeito trágico. Nós, os leitores, acabamos por saber muito pouco sobre ela. Sabemos que ela foi uma filha, uma neta, uma irmã. Ela deixa de existir de um jeito violento. “The Future Looks Good” é um conto sobre feminicidio. Mais uma história de violência doméstica em que um homem que não sabe ouvir não se vê no direito de assassinar uma mulher. A mulher que por conta dessa violência já não tem mais como ser desaparece do mundo antes que nós, leitores, tenhamos a chance de realmente saber quem ela é. Imagino que a autora quis justamente pintar essa imagem forte. Mais uma mulher que é eliminada pela violência de mais um homem que se vê senhor do mundo, antes mesmo de ter a chance de mostrar ao mundo quem ela é.

“War Stories” é outra historia pesada e escura, mas contada com uma certa leveza. Tudo começa com a descrição de um mau comportamento da menina na escola. Ela levantou a blusa de uma outra menina, pra provar as outras meninas que a tal não tinha os sutiãs sofisticados que dizia ter. Esse incidente faz com que o pai volte a lhe contar o velho conto do período da guerra, que ele já tinha lhe contado tantas vezes, sempre pra lidar alguma lição. No incidente ao qual o pai sempre retorna ele perdeu a arma. Procurou pela mesma por três dias, sem sucesso. Mais tarde descobriu que o seu superior tinha pego a arma enquanto ele dormia. Como punição ele foi enterrado vivo. Nunca mais voltou a esquecer a arma. A menina diz que o pai nunca lembra ou fala de outra coisa senão o período da guerra. Como se não houvesse nada antes ou depois da guerra. Esse conto recebi ao fim e ao cabo como uma declaração de que se uma pessoa é atravessada por uma guerra depois de um certo ponto, ela acaba ficando presa naquela guerra pra sempre. Tudo o que ela pode ser são as histórias daquela guerra. O pai da menina lembra de todos que morreram na guerra. Explica que ele não morreu porque correu. Bebe e desaparece. No meio do caminho falam de Emanuel. Alguém que ela conheceu. No meio do caminho descobrimos que ele também esteve naquela guerra. Sobreviveu. Mas mais tarde tirou a própria vida. Durante a guerra ele atirava em cobras. Uma vez um bando de moradores da vila vieram atrás dele. Queriam prestar contas com aquele que estava assassinando seus deuses. O comandante então disse a Emanuel que se ele matasse mais uma cobra ele o entregaria aos homens da vila e deixaria que eles fizessem com ele o que bem entendessem. No meio do caminho, uma cobra imensa, que já tinha sido vítima de um tiro, antes da chegada dos homens da vila, mata um menino, antes de deixar de existir. O pai conta isso tudo a menina sem perceber que está dividindo demasiadas verdades. Mais tarde, na escola, ela se vê em outra situação em que esperam que ela outra vez revele a verdade. Mas ela já está cansada dessa função e não quer saber da verdade. Os pedaços não são apresentados nessa ordem e nem sei se essa foi a ligação que a autora fez. Recebi-os um pouco assim. Como se o pai preso numa vida feita só de historias de guerra estivesse de algum modo tentando desenhar para a filha que uma vida pra ser inteira precisa de mais do que verdades, precisa também de amigos, de comunidade, precisa ser vivida de um lugar que é do mundo e para o mundo.

Recomendo a leitura.

Um abraço e inté a próxima.