uma ruína

por Carol Stampone

ruínas
a beleza do que quase acabou
e resistiu
as marcas do tempo...
                          há marcas que nos deixam mais fortes, mais inteiros até.
                          outras carregamos por precisão, não há jeito de esquecê-las.
                          há marcas que ficam porque a gente deixa, escolhe até.
há quem diga que a gente é uma pequena marca do mundo
uma marca que o tempo há de apagar
enterrar e esquecer
                          dia desses fiquei me perguntando
                          para onde é que as coisas esquecidas vão?
                          tive vontade de descobrir esse lugar
                          e ir acabar lá
algo se perde
algo resta
pode ser que o perdido e o restante se encontrem
gozem
e gerem mais um pedaço de mundo
que irá ser metido para fora dum bucho
alimentado para crescer
educado para prosperar
acumular
repetir
até que chegue a hora dele também acabar
e virar mais um pedaço dessa ruína chamada humanidade


Comments

Popular posts from this blog

Os amantes do café Flore: Beauvoir e Sartre

O sangue dos outros de Simone de Beauvoir

Conversando com “Vozes Mulheres” de Conceição Evaristo